Exportações do estado para o mercado americano representam apenas 0,15% do faturamento do Polo Industrial de Manaus, segundo a Sedecti
O Amazonas deve perder US$ 1,145 milhão com o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que passa a valer no dia 6 de agosto. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que inicialmente divulgou um erro no levantamento, apontando perdas de US$ 1,145 bilhão para o estado.
De acordo com o estudo, os produtos mais afetados fabricados no Amazonas são motocicletas, óleos leves e preparações, máquinas e aparelhos de escritório, rodas dentadas, óleos de petróleo e madeira. No entanto, o próprio levantamento da CNI reconhece que os Estados Unidos têm pouca representatividade nas vendas externas do estado.
Em 2024, as exportações do Amazonas ao mercado americano somaram US$ 99,8 milhões, o equivalente a 10,3% das exportações estaduais — que, por sua vez, representam apenas 1,5% do faturamento do estado, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti). Ou seja, menos de 0,15% da receita total do Polo Industrial de Manaus está exposta ao impacto direto da tarifa.
“Não temos volume expressivo de exportações para os Estados Unidos. O jogo em curso não é puramente econômico, é geopolítico e geoeconômico”, afirma Augusto Cesar Barreto, doutor em Engenharia de Transportes e especialista em logística.
Importações são o verdadeiro ponto de atenção
O Polo Industrial de Manaus pode ser mais impactado pelo custo das importações, principalmente se houver elevação do dólar. Em 2024, o Amazonas importou dos EUA US$ 1,467 bilhão em insumos industriais, o que representa 96,6% do total de compras externas feitas pelo estado ao país norte-americano.
Entre os principais insumos importados estão copolímeros de etileno, polietileno, estireno e óleos de petróleo, matérias-primas essenciais para os setores eletroeletrônico, plástico e de duas rodas. Ainda assim, Augusto Barreto destaca que há alternativas viáveis no mercado internacional.
“A hipótese de ausência de substitutos maximiza a queda de produção e inflação de custos. Mas a experiência da Zona Franca mostra cadeias ágeis em trocar fornecedores, principalmente com a Ásia e Mercosul”, ressalta o especialista.
As motocicletas representam quase 28% das exportações amazonenses para os EUA, mas grande parte da produção tem como destino a América do Sul e o mercado interno brasileiro. Barreto aponta que mesmo com a tarifa, empresas como a Honda, líder do setor no Polo Industrial, poderiam redirecionar volumes para outros mercados, minimizando os impactos.
Para o especialista, há incoerências nos números do levantamento da CNI, além de discrepância entre o valor exportado e a queda projetada. “Temos um conjunto robusto de argumentos para contestar o diagnóstico de que o Amazonas sofreria uma expressiva contração percentual”, conclui.



