Política e Economia

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Certificação pela Fundação Palmares marca conquista histórica para a comunidade e o movimento negro

A Baixa da Xanda, berço do Boi-Bumbá Garantido, foi oficialmente reconhecida como comunidade remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares. O ato, publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (6), torna a Baixa o primeiro quilombo de Parintins e valoriza sua trajetória de resistência e contribuição cultural.

O reconhecimento reforça a identidade negra e indígena da comunidade, cuja origem remonta ao final do século XIX. Dona Maria do Carmo Monteverde, matriarca local e mestra dos saberes culturais do Amazonas, relembra que o processo de aquilombamento começou com sua bisavó, Dona Germana, uma mulher negra escravizada que, após a abolição, estabeleceu-se na região.

Ao longo dos anos, povos negros, indígenas e ribeirinhos formaram laços comunitários e transformaram a Baixa em uma vila de pescadores. O local tornou-se um porto essencial e ponto de encontro para migrantes ribeirinhos, além de servir como moradia para trabalhadores de Parintins. Foi nesse ambiente que nasceu o Boi Garantido, em 1913, pelas mãos de Lindolfo Monteverde, filho de Dona Xanda, tornando-se um dos maiores ícones da cultura popular brasileira.

A comunidade mantém tradições que mesclam catolicismo popular, religiosidade afro-amazônica e pajelança indígena, além de práticas como as rezadeiras. O reconhecimento da Baixa como quilombo veio após mobilizações iniciadas em 2024, incluindo articulações com outras comunidades tradicionais e a produção de documentação histórica.

Lara Monteverde, tataraneta de Dona Xanda, celebra a conquista como um ato de justiça histórica. “Essa certificação vai além de um documento, é o reconhecimento da resistência negra e indígena da nossa comunidade”, afirmou.

Em 2025, o Boi Garantido homenageará o Quilombo da Baixa da Xanda no Festival de Parintins com a toada “O Povo Negro da Amazônia”, enaltecendo sua importância cultural e histórica para o Amazonas.

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