Evento que hoje atrai milhares de turistas surgiu em 1965 como uma campanha religiosa para erguer a Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Muito antes de se tornar um dos maiores espetáculos folclóricos do Brasil, o Festival de Parintins nasceu de um gesto de fé. A primeira edição foi realizada em 1965, organizada por jovens católicos e padres da cidade com o objetivo de arrecadar fundos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ilha Tupinambarana.
Hoje, 59 anos depois, a festa se consolidou como um dos principais eventos culturais do país. Este ano, o Festival de Parintins acontece nos dias 27, 28 e 29 de junho, no Bumbódromo, com a tradicional disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido.
O Caprichoso busca o tetracampeonato com o tema “Cultura: o Triunfo do Povo – É tempo de retomada”, enquanto o Garantido aposta em suas raízes com o tema “Boi do povo, boi do povão”. A expectativa é de que mais de 100 mil turistas visitem a ilha durante os três dias de festival.
Mas, em 1965, o cenário era bem diferente. A primeira edição foi uma celebração simples, com apresentações de quadrilhas, danças típicas e manifestações culturais, no período das festas juninas. A proposta era unir a comunidade em torno da construção da principal igreja da cidade, cuja devoção remonta ao século XIX.
Entre os idealizadores da festa estão nomes como Xisto Pereira, Jansen Rodrigues Godinho, Lucinor Barros, Raimundo Muniz — então presidente da Juventude Alegre Católica (JAC) — e o padre Augusto.
Foi apenas em 1966 que os bois Garantido e Caprichoso foram convidados a se apresentar no evento. A partir daí, nasceu a rivalidade folclórica que transformaria o festival em um espetáculo de cores, sons e símbolos amazônicos.
Mesmo com a expansão cultural e artística ao longo dos anos, a ligação com a fé permanece. Antes das apresentações no Bumbódromo, os bois seguem a tradição de visitar a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, onde participam de uma missa especial. É um momento de oração, agradecimento e pedidos de bênçãos para o festival.
A Catedral, construída com os recursos arrecadados pela festa em seus primeiros anos, segue como um marco espiritual e histórico da cidade — testemunha viva de uma celebração que começou no coração da fé católica e se transformou em Patrimônio Cultural do Brasil.



