Política e Economia

Foto: Divulgação/PF
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Setor faturou R$ 56 milhões até setembro, impulsionado pela construção civil e pelo uso de madeira legal e certificada; desempenho supera os principais polos do Distrito Industrial de Manaus

O segmento madeireiro foi o que mais cresceu no Polo Industrial de Manaus (PIM) até setembro de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o faturamento do setor chegou a R$ 56,05 milhões, quase igualando o total registrado em todo o ano de 2024 (R$ 56,54 milhões) — um avanço de 38,77%.

O crescimento expressivo praticamente compensa as quedas acumuladas nos dois anos anteriores, que somaram 48,3%. Embora o setor represente apenas 0,03% do faturamento geral da Suframa, o polo madeireiro apresentou desempenho superior ao dos principais ramos do Distrito Industrial, como Duas Rodas (23,16%), Mecânico (20,3%) e Metalúrgico (17,47%).

Apesar do resultado positivo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, ressalta que o faturamento atual ainda está abaixo dos níveis de 2021 e 2022, quando o segmento atingiu R$ 64,1 milhões e R$ 70,3 milhões, respectivamente.

Produção sustentável

Antônio Silva destacou que todas as indústrias do polo madeireiro são certificadas e seguem normas ambientais rigorosas, condição essencial para receber incentivos da Zona Franca. Atualmente, o setor emprega 758 trabalhadores diretos e tem produção voltada para madeira beneficiada, serrada e artigos para construção civil.

“Todas as indústrias incentivadas obedecem aos normativos ambientais e legais. Trata-se de um pressuposto básico para a aprovação e manutenção dos projetos. São empresas com alto impacto positivo nas áreas que mais precisam do Estado”, afirmou Silva.

Impulso da construção civil

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Frank Souza, atribui o bom desempenho à expansão do setor habitacional, que cresceu 43% nos últimos 12 meses. O resultado foi impulsionado pelos programas Minha Casa, Minha Vida e Amazonas Meu Lar, que aumentaram a demanda por madeira certificada para uso em estruturas, esquadrias e revestimentos.

“A cadeia da madeira está cada vez mais integrada à construção civil, com destaque para empresas que investem em tecnologia e certificação de origem”, destacou Souza.

A maior parte da matéria-prima vem de áreas de manejo florestal regularizadas no interior do Amazonas, especialmente nos municípios de Itacoatiara, Manicoré e Maués, além de fornecedores do Pará e de outros estados com autorização ambiental.

Mesmo com os avanços, Souza aponta desafios como o alto custo logístico, transporte fluvial e rodoviário caro e a necessidade de ampliar a regularização fundiária e ambiental para permitir o crescimento sustentável da produção.

“Ainda há gargalos que precisam ser resolvidos para garantir que toda a cadeia opere dentro dos padrões legais e com competitividade”, concluiu.

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