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Floating houses and boats are seen stranded at the Marina do Davi, a docking area of the Negro river, city of Manaus, Amazonas State, northern Brazil, on October 16, 2023. The Negro river is facing the worst dry season of the last decades in the Amazon rainforest. (Photo by MICHAEL DANTAS / AFP)
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Relatório da UNCCD aponta eventos de seca mais prejudiciais já registrados e ameaça ao papel da floresta como sumidouro de carbono

Um novo relatório conjunto da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (UNCCD), do Centro Nacional de Mitigação da Seca dos EUA (NDMC) e da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca revela que as secas recentes estão causando “devastação recorde” em várias regiões do mundo. O documento aponta que o desmatamento e os incêndios em curso agravam o quadro, colocando em risco a capacidade da Bacia Amazônica de continuar armazenando carbono, podendo convertê-la em fonte emissora.

As áreas mais afetadas entre 2023 e 2024 incluem a Bacia Amazônica, o sul e leste da África, o Mediterrâneo, o Panamá, o México e o sudeste da Ásia. Nestes territórios, secas prolongadas e intensas interromperam atividades econômicas, comprometeram a produção agrícola e agravaram crises hídricas locais.

Na Amazônia, níveis historicamente baixos dos rios entre 2023 e 2024 provocaram a morte em massa de peixes e botos ameaçados, além de cortar o abastecimento de água potável e paralisar rotas de transporte para comunidades ribeirinhas. Estudos de campo relatam consequências sobre saúde pública e isolamento de dezenas de milhares de pessoas que dependem da navegação fluvial para serviços básicos.

No Mediterrâneo, o relatório projeta elevação de 2 a 3 °C até 2050 (e 3 a 5 °C até 2100) e redução de 2% a 15% da disponibilidade hídrica para cada 2 °C de aquecimento. Regiões como Sicília, Chipre, Marrocos, sul da Espanha e sul da Turquia enfrentam risco de desertificação e expansão de ambientes áridos nas próximas décadas.

Sem reduções substanciais nas emissões de gases de efeito estufa, o aumento de temperaturas — que intensifica evaporação e altera padrões de chuva — deve tornar as secas mais frequentes e severas globalmente. O relatório enfatiza que a resiliência às secas dependerá da capacidade dos países de fortalecer ecossistemas, aperfeiçoar a gestão da água e assegurar acesso equitativo aos recursos hídricos.

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